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O nome da artista é Weronika, uma designer de camisetas e ilustradora da Polônia. Desde sempre Weronika foi fascinada pela natureza e pelos animais. Quando criança, passava dias observando a vida de insetos e outras pequenas criaturas em seu jardim ou assistindo aos documentários de David Attenborough.


Até hoje a natureza continua a inspirar profundamente. Ela tenta expressar sua admiração pela beleza e multiplicidade de formas de vida através de sua arte. A artista cria desenhos detalhados de animais muitas vezes acompanhados de plantas, fungos, samambaias e musgos. Recentemente a mesma fez uma série de tartarugas e cágados incorporados aos seus ambientes naturais, para expressar a importância da preservação dos habitats naturais e da diversidade de espécies.





























Mais informações: Instagram | Facebook | wkolinska. com

Não é segredo que os desenhos animados da Disney e seus heróis ajudaram a moldar a vida de muitos. Alguns dos personagens animais mais adoráveis, com olhos grandes e sorrisos gentis, nos ensinaram a ser amorosos, generosos e corajosos. Portanto, não é de admirar por que tantas pessoas desejam ver seus amigos peludos favoritos como criaturas animadas coloridas.

Uma artista, Isa Bredt, uma ilustradora holandesa de 23 anos, torna isso possível. Ela é a autora por trás da famosa conta do Instagram chamada "Pet Disneyfication". Desde 2014, ela transforma fotos de animais de estimação das pessoas em ilustrações da Disney, e é um nível totalmente novo de fofura.

Coletamos alguns dos melhores desenhos de gatos, cachorros, coelhos e muito mais de sua conta.


“Disneyfication” ("Disneyficar" em tradução livre) é um termo que tem sido usado por sociólogos para descrever a transformação de coisas ou ambientes para se assemelhar aos parques e resorts temáticos de Walt Disney. Nesse caso, são nossos amados animais de estimação que são transportados para o mundo da animação semelhante à Disney, e é realmente encantador.

Isa Bredt sempre teve uma paixão por animais e arte, então foi um prazer combinar os dois e se tornar uma retratista de animais de estimação. Segundo seu site, suas maiores inspirações são os antigos trabalhos animados em 2D da Disney, Dreamworks e Don Bluth. “Nos meus retratos, tento capturar o espírito de um animal, com o toque de que eles parecem que podem estrelar seu próprio filme de animação”, escreveu ela.


Ela desenha desde muito jovem e começou a compartilhar seu trabalho no Reddit aos 16 anos. Depois disso, o projeto cresceu muito rápido.


Quando perguntada sobre sua parte favorita do processo, Bredt revelou que é o início do desenho: “Olhando para todas as fotos, encontrando coisas que tornam um animal especial e depois fazendo o esboço inicial. Adoro analisar quais características são exclusivas do animal de estimação que estou desenhando.”

Seu trabalho é realmente mágico e admirado por muitos: “As pessoas são tão doces! Especialmente se eu fiz um retrato de um animal de estimação que infelizmente faleceu, as pessoas me mandam as mensagens mais gentis, dizendo que o desenho trouxe lágrimas aos olhos. Ou que os ajudou a se curar porque as fotos de seu animal de estimação os fizeram chorar, mas o retrato os fez sorrir.”



Bredt não trabalha apenas com base em encomendas, mas também faz seus próprios projetos, como fazer sua mágica em nossos animais favoritos do Instagram ou em qualquer amigo peludo que a inspire. Além disso, ela começou a Disneyficar animais de abrigos como forma de retribuir. Embora ela não se lembre exatamente como teve a ideia, ela definitivamente queria usar sua plataforma para algo bom.



“Acho que foi enquanto navegava em um site de abrigo (o site de onde adotei meus gatos) e desejei poder ajudar os animais que estavam no abrigo há mais tempo, de alguma forma”, Revela a artista. “Mas também é possível que um dos meus seguidores tenha recomendado uma vez e eu estou apenas levando crédito injusto haha! De qualquer forma, eu queria fazer algo para ajudar.”



Embora a ilustradora não tenha certeza se ajuda todos os animais de abrigo que desenha, ela contribuiu para melhorar algumas de suas vidas. “Há apenas dois casos em que sei que meu retrato realmente funcionou: Diesel, um cachorro que foi adotado porque o abrigo adicionou meu desenho à sua página de adoção”, disse Bredt. “E Benji, um cachorro traumatizado demais para ser adotado por uma família normal. O abrigo teve que arrecadar dinheiro para levá-lo a um santuário, mas um pit bull assustado não é muito popular, infelizmente, então apresentá-lo na minha página realmente os ajudou a atingir seu objetivo.”



Isa Bredt nos deixa com algumas reflexões: “Dê um pouco de amor aos seus abrigos locais, eles sempre podem precisar de doações”.





















Mais informações em: Instagram / Pet Disneyfication / Patreon / Redbubble


Pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona e da Escola de Exploração da Terra e do Espaço estão investigando as “Grandes Províncias de Baixa Velocidade de Cisalhamento” (ou, na sigla em inglês, “LLSVPs”) – basicamente, duas bolhas gigantescas localizadas no manto da Terra, uma sob a África e outra abaixo do Oceano Pacífico – para tentar entender mais sobre…bem, sobre o que exatamente elas são.

Essas bolhas gigantes do nosso manto fazem jus ao adjetivo: ambas têm mais ou menos o tamanho médio de um continente e são cerca de mil vezes mais altas que o Monte Everest – vulgo “a maior montanha da Terra”. Diversos estudos já foram conduzidos sobre elas, mas poucos renderam informações muito contundentes: sabemos que elas são maleáveis e seus formatos são imprevisíveis e complicados, mas não sabemos como elas foram criadas ou chegaram à forma atual.

As LLSVPs – “bolhas” continentais posicionadas no manto da Terra – ainda intrigam diversos cientistas, que seguem estudando seu funcionamento e sua influência em eventos como terremotos e erupções (Imagem: Yuan/Li/Reprodução)

As teorias sobre isso também são várias – um estudo de 2021, conduzido por Qian Yuan, da universidade no Arizona, rege que elas podem ser restos do choque da “proto Terra” contra “Thea”, o corpo espacial que bateu contra nós e supostamente formou a Lua.

Agora, os mesmos autores lançam mão de um novo estudo, onde usam modelagem geodinâmica baseada em pesquisas anteriores para criar um modelo analítico das LLSVPs, obtendo mais informações por meio de observação simulada.

Os dois pesquisadores conseguiram descobrir algumas informações adicionais: as alturas de ambas as bolhas do manto dependem da viscosidade do material em volta delas, bem como suas respectivas densidades. É por isso, por exemplo, que a bolha da África é cerca de 1.000 km mais alta que sua contraparte oceânica, mas a bolha do Pacífico é mais estável e antiga.

“Nossos cálculos indicam que o volume inicial das bolhas não afeta suas alturas”, disse Yuan. “A LLVP africana teve um crescimento mais recente, dentro do tempo geológico”, adicionou Li. “Isso pode explicar a topografia mais elevada e o vulcanismo intenso na África oriental”.

Em termos práticos, pela bolha da África ser mais nova e mais instável, faz sentido que o terreno africano acima dela sofra com alterações mais severas de topografia. Em outras palavras: terremotos, vulcanismo…todas essas atividades geológicas podem ter um impacto acrescido na região – o aumento de tamanho das bolhas gigantes no manto da Terra também têm relação com os movimentos de placas tectônicas.

Não que as coisas sejam mais fáceis em sua “irmã”: o Oceano Pacífico é rodeado pelo chamado “Anel de Fogo”, uma área em formato de ferradura que começa na região da Nova Zelândia e vai até a falha submarina Peru-Chile. Tudo o que está dentro dessa “ferradura” também conta com alta atividade geológica – Tonga, onde uma recente explosão teve uma onda de choque tão poderosa que seu som cruzou o mundo duas vezes, está nessa área, por exemplo.

Ainda não sabemos os detalhes principais das bolhas gigantes no manto da Terra, mas o novo estudo traz mais detalhes sobre elas. O material foi publicado no Nature Geoscience.

Imagem: Teomancimit/Wikimedia Commons/Reprodução

O Göbekli Tepe, na Turquia, é considerado o templo mais antigo do mundo. Ele data de 9.600 a.C., o que remonta ao início do período Neolítico. Pesquisadores estudam o local desde a década de 1990, mas só agora perceberam um detalhe que pode reescrever a história dos primórdios da civilização humana.

Por muito tempo, arqueólogos acreditaram que o Göbekli Tepe era apenas um templo solitário em meio a rotas de comunidades nômades que viveram há quase 12 mil anos. Novas evidências divugadas em uma reportagem do jornal El País sugerem que o santuário é na verdade o núcleo de uma série de assentamentos sedentários com estruturas sociais estratificadas.

Ou seja, as pessoas não estavam apenas passando pelo local, mas viviam fixamente ao redor dele. Os cientistas chegaram a esta conclusão após identificar dezenas de sítios arqueológicos em áreas próximas que datam mais ou menos da mesma época em que Göbekli Tepe foi ocupada.

Os assentamentos possuem tamanhos diferentes, o que parece indicar uma hierarquia entre eles. No entanto, todos possuíam artefatos semelhantes, sugerindo que as pessoas que viviam ali habitavam um mesmo universo.

Não foram encontrados na região indícios de domesticação de plantas ou animais, apenas milhares de ossos de animais selvagens. Tais evidências indicam que os moradores dos assentamentos eram caçadores-coletores.

Ao mesmo tempo, não eram nômades. Na época, a temperatura do globo começava a aumentar, o que parece ter contribuído para o aumento de plantas e animais selvagens na região. A fertilidade do local parece ter atraído diferentes povos, que montaram ali suas “vilas”.

É comum pensar que o sedentarismo se originou da falta de alimentos, fazendo com que os humanos passassem a cultivar em suas terras. Neste caso, o que aconteceu foi o contrário: os habitantes dos assentamentos não precisavam se deslocar para arranjar comida, já que ela estava sendo oferecida em grande quantidade perto de suas habitações.

Em entrevista ao El País, o professor de arqueologia Necmi Karul explicou: “a sedentarização veio da abundância e não da escassez”.

Até o final do século 20, a agricultura e a pecuária foram apontadas como a principal causa para o fim do nomadismo. Essa transição ficaria conhecida como Revolução Neolítica, que marcaria o início da civilização humana. Estudos e achados recentes, como os assentamentos na Turquia, podem contribuir na remodelação dessa história.

Via: gizmodo

As estatuetas históricas foram examinadas e só tiveram o valor estimado após ser arrematada com um lance alto em leilão

Fotografia das esfinges encontradas em jardim - Divulgação / Mander Auctioneers

Buscando se livrar de itens pessoais, uma família residente do condado de Suffolk, na Inglaterra, entrou em contato com uma casa de leilões local para analisar se algum item da residência era interessante para aquisição.

Entre os objetos, duas estatuetas que decoravam o quintal da residência chamaram atenção da instituição, recebendo a informação de que se tratavam de peças de jardim do século 19 esculpidos em pedra.

Dessa maneira, a Mander Auctioneers, empresa responsável pela coleta, fixou o preço do lote em 300 a 500 libras esterlinas (entre R$ 2,255 a R$ 3,759) como lance inicial.

Porém, outras casas de leilões na Inglaterra notificaram a empresa para avaliar a peça com mais atenção dado os traços externos. Assim que examinada por especialistas, a empresa notou que tratavam-se de esculturas egípcias milenares.

Fotografia das esfinges encontradas em jardim / Crédito: Divulgação / Mander Auctioneers

A família, que havia comprado a peça 15 anos antes por algumas centenas de libras, não apenas se surpreenderam positivamente com a descoberta, como ficarão com a maior parte das 195 mil libras esterlinas (cerca de R$ 1,4 milhão em cotação atual) do arremate final das peças, como informa a ITV.

O comprador do lote não teve o nome revelado, mas sabe-se que é representante de uma entidade internacional. Ambas as esfinges possuem pouco mais de 1 metro se comprimento e possuem partes remendadas com concreto pelos últimos donos.

O Google frequentemente confunde os locais para evitar a divulgação de sua estrutura. Google Maps

Para a maioria das pessoas, o Google Maps é uma ferramenta útil para ir do ponto A ao ponto B.

Mas, para um pequeno grupo de curiosos, é uma fonte de mistérios.

Se você olhar bem, poderá encontrar imagens estranhas que parecem ocultar algo além da realidade. Ou podem ser apenas sinais de que o Google Maps não está funcionando corretamente.

Seja qual for a verdade, o debate que ele provoca costuma ser divertido e estimulante.

Isso é exatamente o que aconteceu quando um usuário do Reddit encontrou um buraco negro no meio do oceano enquanto usava o Google Maps.

"Que porra é essa", escreveu kokoblocks no subreddit do Google Maps. "Isso não se parece em nada com uma ilha."

As primeiras sugestões diziam que a ilha poderia ser uma base militar secreta.

"Parece censurado por algum motivo", disse KorvisKhan.

"Meu primeiro pensamento foi que a imagem foi censurada", respondeu Jazzlike_Log_709. "Não faria sentido que uma formação natural fosse negra assim em um atol / ilha tão rasa e pequena."

O Google frequentemente obscurece lugares "sensíveis", como bases militares ou pátios de prisões, relatou a Live Science. Isso é feito para evitar a divulgação de informações sobre sua localização e estrutura.

Muitas teorias em torno da mancha negra se concentraram em tentar explicar a escuridão da imagem.

"Pode ser talvez um vulcão subterrâneo que é o que causa a escuridão, assumindo que não seja um buraco. Muito provavelmente rocha ígnea", disse The_Professor64.

Alguns usuários aproveitaram a oportunidade para zombar da postagem, sugerindo que poderia ser a ilha do programa de TV "Lost". Um usuário concluiu: "Obviamente, entrada da Terra Oca. Duh," referindo-se à teoria da Terra Oca, que sugere que a Terra é completamente oca.

Essas pessoas podem ficar desapontadas ao descobrir que este lugar misterioso no Google Maps é a Ilha Vostok. E Encontra-se a nordeste da Nova Zelândia e pertence à República de Kiribati, uma nação insular no Pacífico Central que inclui 33 atóis de coral e ilhas.

A escuridão da imagem também pode ser eliminada.

"O que você vê como preto é na verdade um verde muito escuro, é uma floresta muito densa composta de árvores Pisonia", escreveu o redditor SatisfactionAny20.

Mas se você estava esperando por evidências de outra dimensão ou a descoberta de uma conspiração, não desanime.

Existem muitas outras imagens estranhas para serem encontradas no Google Maps, e quase sempre há um intenso debate sobre elas.

A Bela de Xiaohe, uma múmia de 3.800 anos encontrada no deserto de Taklamakan (China).WENYING LI, INSTITUTO DE ARQUEOLOGÍA Y ANTIGÜEDADES CULTURALES DE XINJIANG

Análise genética descarta que as pessoas mumificadas com coloridos vestidos no deserto de Taklamakan, na China, foram imigrantes indo-europeus

O historiador norte-americano Victor Mair costuma contar que, quando viu pela primeira vez as múmias da cultura Xiaohe, em 1988, pensou que se tratava de um engodo aos turistas. Os cadáveres, encontrados no que hoje é o deserto de Taklamakan, no oeste da China, tinham 4.000 anos, mas estavam espantosamente bem conservados, com roupas de cores intensas e sofisticados adornos. Quase pareciam pessoas vivas. “O mais surpreendente é que praticamente todos são caucasianos. De onde vieram e como terminaram no coração da Ásia?”, se perguntou Mair à época. O historiador propôs uma teoria: aquela colorida civilização da Idade do Bronze não poderia surgir naquele rincão inóspito. Seus primeiros membros deveriam ser imigrantes de línguas indo-europeias, chegados a cavalo de lugares remotos da Eurásia. Uma equipe científica internacional afirma agora que resolveu o enigma: os surpreendentes membros da cultura Xiaohe, dizem, não vieram de montanhas longínquas: era uma população autóctone, sem grandes misturas há mais de 9.000 anos.

A bacia do rio Tarim está na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, um trecho da Rota da Seda que se encaixa no tópico da encruzilhada de culturas. Lá apareceram nas últimas décadas centenas de pessoas mumificadas de maneira natural, graças ao clima árido e frio, e frequentemente enterradas em misteriosos ataúdes de madeira em formato de barco. A antropóloga Christina Warinner descreve um dos traços mais fascinantes das múmias do Tarim: sua suposta aparência ocidental. “Eram pessoas altas, com o cabelo castanho, às vezes claro, e alguns homens tinham grandes barbas”, diz a pesquisadora, da Universidade Harvard (EUA). Alguns indivíduos chegaram a ser enterrados com máscaras de longos narizes. Uma das múmias mais conhecidas, a chamada Bela de Xiaohe, usava uma vistosa vestimenta de feltro e lã de ovelha, além de um majestoso chapéu branco.

Vista aérea do cemitério de Xiaohe, no deserto de Taklamakan (China).WENYING LI, INSTITUTO DE ARQUEOLOGÍA Y ANTIGÜEDADES CULTURALES DE XINJIANG

A origem dessas múmias sempre foi controversa, com três grandes hipóteses discutidas. Uma delas afirma que a sofisticada cultura Xiaohe vem de pastores imigrantes do sul da Sibéria, por sua vez conectados aos yamnaya, os nômades que abandonaram as estepes e cujos descendentes acabaram substituindo quase todos os humanos da Península Ibérica há 4.500 anos. As outras duas teorias defendem que eram agricultores vindos das montanhas da Ásia central e dos oásis do atual Afeganistão.

A equipe de Christina Warinner acha que nenhuma das três hipóteses é correta. Os cientistas analisaram agora o DNA de 13 múmias do Tarim e seus resultados sugerem que era uma população autóctone, sem grandes misturas há mais de 9.000 anos. Apesar desse marcado isolamento genético, entretanto, o grupo era “culturalmente cosmopolita”. Seus membros cultivavam trigo, cevada e painço, três plantas domesticadas no Oriente Médio e no norte da China. Também faziam queijo utilizando uma fermentação semelhante à do kefir, uma técnica aprendida, talvez, com os descendentes dos pastores da Sibéria. E enterravam seus mortos com ramos de efedra, uma planta considerada medicinal nos oásis da Ásia Central.

“Ficamos surpresos com o chamativo contraste entre seu isolamento genético e suas conexões culturais”, admite Warinner. “Não está claro como e por que mantiveram um isolamento genético tão rígido, mas sua abertura à adoção de novas tecnologias é o que provavelmente fez com que fossem bem-sucedidos na colonização dos oásis do deserto da bacia do Tarim”, acrescenta a antropóloga, que lidera a pesquisa com seus colegas da China, Alemanha e Coreia do Sul.

Escavação de uma tumba no cemitério de Xiaohe, no deserto de Taklamakan (China).
WENYING LI, INSTITUTO DE ARQUEOLOGÍA Y ANTIGÜEDADES CULTURALES DE XINJIANG

O estudo, publicado na quarta-feira na revista Nature, balança as exóticas hipóteses defendidas há décadas. O historiador Victor Mair, professor de chinês na Universidade da Pensilvânia (EUA) e um dos maiores especialistas nessas múmias, se recusa a comentar a nova pesquisa. “Acho que é basicamente defeituosa”, se limitou a afirmar ao EL PAÍS.

Mair publicou há duas décadas um livro de referência, As Múmias do Tarim. O coautor do volume, o arqueólogo James Mallory, acredita que o novo estudo é “extremamente interessante e valioso, ainda que seus resultados não sejam tão surpreendentes”. Mallory, da Universidade da Rainha de Belfast (Irlanda do Norte), opina que a análise genética ignora uma quarta hipótese “cronologicamente mais provável”: que os Okunevo —outra das culturas das estepes euroasiáticas durante a Idade do Bronze— foram os ancestrais das pessoas mumificadas na bacia do Tarim.

O próprio Mallory já estudou em 2015 os paralelismos entre estas duas sociedades, perdidas no tempo há 4.000 anos. “Se tivessem comparado o DNA com o dos Okunevo, seria um estudo muito mais sólido”, argumenta o especialista. A arqueóloga Paula Doumani Dupuy, da Universidade Nazarbayev (Cazaquistão), opina de modo diferente em um artigo paralelo na revista Nature. Em seu entendimento, a nova análise já “respondeu à pergunta das origens genéticas da cultura Xiaohe”.

A busca das raízes das múmias foi problemática desde o começo. Muitos uigures —a minoria muçulmana de língua e etnia turcomana que hoje vive na região— querem a independência da China e imediatamente tomaram para si as singulares múmias do Tarim, cuja antiguidade de 4.000 anos supostamente daria a eles prioridade sobre a etnia han, a majoritária do país, que chegou dois milênios depois. Na verdade, como argumentou há cinco anos o próprio Victor Mair, os uigures chegaram à bacia do Tarim um milênio depois dos han. O historiador também afirmou que os membros da cultura Xiaohe foram “um povo pacífico e igualitário”, quase sem armas e grandes diferenças de status em suas tumbas. O que parece claro é que suas coloridas múmias não têm nada a contribuir às guerras do século XXI.

Via: El pais


O fotógrafo em uma das tribos que conheceu no interior do Sudão do SulImagem: Arquivo pessoal

O fotógrafo alemão Michael Runkel (@michaelrunkelphoto), de 52 anos, é uma das pessoas mais viajadas do mundo.

Com trabalhos realizados para veículos como a "National Geographic Traveller" e "The New York Times", ele já esteve em todos os países do globo e se especializou em explorar lugares remotos e perigosos como a costa da Somália, o interior do Afeganistão e as profundezas do Iraque.

Aventuras na África
Porém, poucos destinos foram tão difíceis para Michael desbravar como o Sudão do Sul, que conquistou sua independência do Sudão em 2011 e é considerado a nação mais nova do planeta com amplo reconhecimento da comunidade internacional.

O alemão passou 12 dias no país africano neste ano, com o objetivo de fotografar diferentes tribos locais — e, nesta jornada, enfrentou um território abalado por contínuas guerras, com parca infraestrutura e cenários propícios para grandes perrengues.

Michael com os membros da escolta armada que o acompanhou em regiões do Sudão do SulImagem: Arquivo pessoal

E a experiência de viagem começou logo após o desembarque no aeroporto que serve a cidade de Juba, capital do Sudão do Sul.

"O terminal do aeroporto ainda é muito pequeno e quase não tem ar-condicionado. No dia em que cheguei, a temperatura estava em 42 graus. Além do teste negativo para covid-19 obrigatório, os oficiais de segurança são obsessivos com equipamentos de fotografia. Eles reviraram minhas malas e olharam cada uma das minhas câmeras", explica.

"Antes da viagem, eu já sabia que não seria possível levar um drone, pois este tipo de equipamento é totalmente proibido por lá. Eu poderia ser preso se achassem um drone na minha bagagem"

Aeroporto de Juba, a capital do Sudão do SulImagem: Getty Images

Esta atmosfera de paranoia existe no país muito por causa da guerra civil que assolou o Sudão do Sul após sua independência — um conflito armado alimentado por disputas de poder entre líderes políticos do recém-nascido Estado soberano. Lá, estrangeiros com câmeras podem ser vistos como potenciais espiões a serviço de algum grupo político local ou inimigo estrangeiro.

E as preocupações não paravam por aí: no Sudão do Sul, o alemão esteve frequentemente acompanhado por escolta armada, visto que o país ainda é um lugar sob tensão bélica.
Da capital para o interior

Com mais de meio milhão de habitantes, a cidade de Juba é um local sem muitos atrativos. "É um dos poucos lugares do Sudão do Sul com real estrutura urbana e vias pavimentadas", diz ele.

"Mas não é recomendado tirar fotos de nada, pois você pode ter problemas com a polícia"

Soldado fazendo a guarda: preocupação com segurança é um dos desafios nas viagens pelo paísImagem: Getty Images/iStockphoto

Os grandes objetivos do alemão, entretanto, estavam fora da cidade grande: em remotas áreas tribais que, além do aspecto cultural, oferecem maior facilidade para colocar as câmeras para funcionar.

Após uma noite em um hotel na capital, ele voltou ao aeroporto para voar rumo à região de Equatória Oriental, para entrar em contato com tribos que vivem nesta zona do Sudão do Sul.

Mas, neste deslocamento, aconteceu mais uma situação curiosa.

"Cheguei ao aeroporto e, com outros passageiros, peguei uma van que cruzou uma pista com aviões de ajuda humanitária para nos levar até perto da nossa aeronave. O nosso avião era muito pequeno e começou a ser carregado sem nenhum tipo de verificação de peso. Ninguém via quantos quilos de malas e cargas estavam sendo colocados lá dentro. E, depois do embarque, havia três passageiros sentados em assentos de duas pessoas. A regra era não ter regra", conta.

Michael sobreviveu ao voo e, ao desembarcar no seu destino, teve que encarar deslocamentos terrestres desafiadores, frequentemente protegido por escolta armada.

"Quando você sai de Juba para ir ao interior, vê que nada ainda está funcionando", conta ele, dizendo que algumas das principais estradas do país são apenas vias de terra cheias de buracos e trechos alagados, onde rebanhos em movimento costumam dividir espaço com caminhões atolados.

"Ao viajar por estas estradas, fiquei impressionado ao ver que o Sudão do Sul ainda é um território sem plantações, apesar de ser banhado por rio. Parece que, lá, nada é cultivado para alimentar as pessoas", diz.

"E, de fato, muitos dos alimentos consumidos no país são importados de nações vizinhas, como Uganda e Etiópia. É uma situação insana"

Cenário captado por Michael no interior do Sudão do SulImagem: Arquivo pessoal

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 60% da população do país sofre atualmente de insegurança alimentar.
Encontro com as tribos

O esforço de Michael para transitar no Sudão do Sul o levou até diversas comunidades tribais que existem por lá.

Dormindo em acampamentos durante a viagem pelo interior do país, ele visitou povos de costumes únicos, como os Mundari, os Lotuko e os Toposa, em experiências realmente autênticas.

Selfie com umas das tribos que Michael visitou no Sudão do SulImagem: Arquivo pessoal

Muitos deles têm vidas muito parecidas com o que ocorria há centenas de anos. São culturas, de certa maneira, intocadas e de costumes extremamente interessantes. A única diferença é que alguns deles hoje carregam Kalashnikovs"

"Os Mundari, por exemplo, têm crenças animistas e vivem lado a lado com seus bovinos, que são seu sustento", explica. "Já os Toposa, quando jovens, fazem cortes em padrões simétricos em seu corpo, incluindo o rosto". As cicatrizes que surgem daí fazem parte da identidade visual deste povo.

Em muitas comunidades não há dinheiro: o comércio é feito por escamboImagem: Arquivo pessoal

E muitas destas comunidades sequer usam dinheiro. "Eles sobrevivem com a troca de comida e animais", conta, ressaltando também a dificuldade da vida nestes locais.

"São pessoas muito pobres, que têm que enfrentar uma realidade muito dura. E isso apesar de o Sudão do Sul ter petróleo. Mas o dinheiro não chega até as comunidades"

Michael visitou a região para conhecer as tribos e fazer imagens para meios internacionaisImagem: Arquivo pessoal

Michael não se viu no meio de nenhum conflito armado durante sua jornada pelo Sudão do Sul, mas acha difícil que o governo do mais novo país do mundo consiga criar um senso de identidade nacional entre toda sua população.

"O Sudão do Sul está fragmentado em sociedades tribais, que ainda entram em conflitos armados umas com as outras. Lá, não há identidade nacional, mas identidades tribais".

Via: Uol
Para ver as fotos que Michael tirou no Sudão do Sul e em suas incontáveis viagens pelo mundo, acesse: www.michaelrunkel.com

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