Junho 2021

Imagem: Reprodução/Universidade de Tel Aviv

Há cerca de 120 mil anos, no final do Pleistoceno Médio, os Homo sapiens conviveram com um outro tipo de humano que só descobrimos recentemente, graças às pesquisas da Universidade de Tel Aviv, em Israel. Os cientistas analisaram fragmentos dos ossos do crânio, mandíbulas e dentes de um hominídeo que pode ter sido o ancestral dos Neandertais na Europa, além de populações Homo mais arcaicas que viveram na Ásia.

Os arqueólogos responsáveis pelo estudo batizaram a descoberta de povo Nesher Ramla, homenageando um sítio de escavação em Israel, onde os restos foram descobertos. Israel Hershkovitz, principal autor do estudo, conta que a pesquisa traz um novo entendimento aos fósseis humanos encontrados anteriormente. "Adiciona outra peça ao quebra-cabeça da evolução humana e na compreensão das migrações dos humanos no mundo antigo", diz.

Os restos mortais estudados foram encontrados a cerca de oito metros abaixo do solo, onde também estavam ossos de animais e fragmentos interessantes de ossos humanos antigos, além de algumas ferramentas feitas de pedra. O material era composto de ossos parietais, que correspondem ao topo e as laterais do crânio, e uma mandíbula praticamente inteira.

Universidade de Tel Aviv

Através da reconstrução virtual, os cientistas compararam os ossos com material fossilizado de outros hominídeos, mostrando que as mandíbulas e dentes era mais parecidas com os dos Neandertais, enquanto os ossos parietais eram mais semelhantes aos do Homo arcaico.

A reconstrução digital também mostrou que o crânio era diferente do crânio de Homo sapiens, contando com dentes maiores, uma diferente estrutura craniana e com ausência de queixo. Com isso, acredita-se que eles foram uma das últimas populações a sobreviverem no período na região.

Agora, os cientistas irão fazer mais exames de DNA para obter mais informações importantes sobre o povo Nesher Ramla, estudando também questões de migração entre regiões. A pesquisa foi divulgada em dois documentos na revista científica Science, disponíveis neste link e aqui.


Estação Espacial Internacional em 2018 (Crédito: NASA/Roscosmos)

Não conte para ninguém, mas a Estação Espacial Internacional não está voando. Ela está caindo com estilo. Em essência, órbita é isso, você cai, mas com uma velocidade lateral muito alta, quando chega no chão já passou da curvatura da Terra. O problema é quando você encontra algo no meio do caminho.

A Estação Espacial Internacional passou por um pequeno susto; algo, talvez um micro-meteoro atingiu o braço robótico, mas está tudo bem

É um conceito puramente relativístico. Se você está num carro a 80Km/h e atinge uma parede sofre os mesmos danos, é atingido com mesma energia se estiver parado no carro e uma parede a 80Km/h te atingir, embora essa parte da analogia seja bem mais improvável de acontecer.

Em essência, o que mata não é a bala em si, mas a energia cinética. Se você correr a 853 m/sem direção a um projétil .50 de um Barret M82 sua cabeça explodirá como uma melancia ao atingi-lo, mesmo com ele parado preso a um suporte.

Aqui temos o problema: A Estação Espacial Internacional orbita a 7.66Km/s, nove vezes mais rápido que uma bala. Imagine se ela encontra uma pedra, um parafuso, uma casca de noz. Se esse objeto estiver relativamente parado, atingirá a Estação com nove vezes mais energia que uma bala, se for do tamanho e massa de uma bala.

Se o objeto estiver em órbita retrógrada, as velocidades se somarão e teremos uma colisão 20 vezes mais potentes.

Pior, não é preciso imaginar. A Estação Espacial Internacional já registrou (cuidado, PDF) mais de 1400 impactos de micro-meteoros e lixo espacial, felizmente tudo muito pequeno. E sim mesmo as cápsulas Dragon da SpaceX foram atingidas várias vezes.

Lista parcial de impactos de micro-meteoros e lixo espacial (Crédito: Observations of MMOD Impact Damage to the ISS)

Os astronautas relatam que dentro da Estação Espacial, quando tudo fica em silêncio, dá pra ouvir os micro-meteoros atingindo os escudos de proteção, soa como uma chuva leve. Poético e mortal.

Já os painéis solares acabam sofrendo mais, de vez em quando algum objeto maior, com um ou dois milímetros de diâmetro atinge um deles, e deixa um belo buraco.

Agora o alvo foi o Canadarm2, o sofisticado braço robótico da Estação Espacial Internacional, usado para instalar equipamentos e atracar naves de carga. Foi um belo susto quando uma inspeção de rotina achou um baita furo na cobertura de proteção do braço.

"Dis just a flesh wound" (Crédito: NASA)

Sem o Canadarm2 muito do trabalho da Estação Espacial se tornaria mais complicado. As Dragons de carga da nova geração não utilizam mais o Canadarm2 para acoplar na Estação, mas outros veículos, exceto o Progress precisam dele, e o braço também é usado para recolher cargas no compartimento não-pressurizado da Dragon.

Consultado, o braço respondeu “é só um arranhão”, e reportou que está funcionando perfeitamente.

Crédito: Monty Python

Em teoria a Estação Espacial está protegida de detritos maiores, coisas do tamanho de bolas de tênis são monitoradas via radar, mas nada impede que um pedaço não-catalogado de lixo orbital, ou mais provavelmente um mini-meteoro a atinja, estragando o fim de semana dos astronautas. Eles só não perdem o sono por entenderem de estatística.

O Espaço é muito grande, as chances da Estação Espacial ser atingida por algo são inversamente proporcionais ao tamanho do objeto. Por isso eles escutam fragmentos microscópicos atingindo o casco todo o tempo, mas dos grandes, é bem mais raro. Ainda bem.


Fenômenos violentos do centro da Via Láctea foram revelados com uma clareza inédita, em pesquisa do astrônomo Daniel Wang, da Universidade de Massachusetts Amherst. As imagens da região central da galáxia, divulgadas na quinta-feira (27), documentam uma linha de raios X, G0.17-0.41.

Essa linha de raios X sugere um mecanismo interestelar até então desconhecido que pode governar o fluxo de energia e, potencialmente, a evolução da nossa galáxia. Professor do departamento de astronomia da universidade, Wang destacou que a “galáxia é como um ecossistema”.

“Nós sabemos que os centros das galáxias são onde está a ação e desempenham um papel enorme em sua evolução”, disse o astrônomo. Mesmo assim, o que quer que esteja acontecendo no centro da Via Láctea é difícil de estudar, apesar da relativa proximidade da Terra.

Segundo Wang, essa dificuldade existe porque a região está obscurecida por uma névoa de gás e poeira densa. Por isso, os pesquisadores não conseguem ver o centro, mesmo com instrumentos poderosos, como o Telescópio Espacial Hubble.

Para conseguir captar as imagens, Wand usou um telescópio diferente. Ele utilizou o Observatório Chandra da Nasa, capaz de enxergar raios X, ao invés de raios de luz visível. Eles conseguem penetrar a névoa, trazendo resultados impressionantes.

As descobertas fornecem a imagem mais nítida de um par de plumas que emitem os raios X, emergindo da região próxima ao gigantesco buraco negro localizado no núcleo da Via Láctea. Mais intrigante é o fio de raios X denominado G0.17-0.41, descoberto perto da pluma ao sul.

“Esse segmento revela um novo fenômeno. Esta é a evidência de um evento de reconexão de campo magnético em andamento”, acrescentou Wang. Segundo ele, o tópico provavelmente representa “apenas a ponta do iceberg da reconexão”.

Detalhes do centro da galáxia marcados por Wang. Sagittarius A* é o buraco negro no centro da Via Láctea. Imagem: NASA/CXC/UMass/Q.D. Wang; Radio: NRF/SARAO/MeerKAT

Esse evento de reconexão de campo magnético acontece quando dois campos opostos são forçados a se combinarem, liberando muita energia. Justamente o processo violento descrito por Daniel Wang. Mais perto de casa, esse evento é responsável por fenômenos como erupções solares.

Agora, os cientistas acreditam que a reconexão ocorre também no espaço interestelar, nas fronteiras externas das plumas em expansão expulsas do centro da galáxia. O astrônomo lista questões fundamentais que vão ajudar cientistas a desvendar a história da Via Láctea.

“Qual é a quantidade total de energia emitida no centro da galáxia? Como ela é produzida e transportada? E como ela regula o ecossistema galáctico?”, perguntou. Mesmo com muito a descobrir, o mapa de Wang já mostra o caminho.

As descobertas do professor Daniel Wang são resultado de mais de 20 anos de pesquisa. Os detalhes do estudo das imagens foram publicados no site Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Mais imagens da galáxia podem ser vistas no site do telescópio usado pelo astrônomo.

Via: UMass

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