Queimaduras, tesouradas e comas alcoólicos: a violência dos trotes universitários é histórica

O primeiro caso brasileiro foi registrado em 1831 e já indicava efeitos problemáticos 


O caso da jovem de 17 anos que, no último dia 2, sofreu queimaduras de terceiro grau após ser atingida por produto químico durante trote nas Faculdades Adamantinenses Integradas, em Adamantina, interior de São Paulo, infelizmente, não é o primeiro do gênero. A jovem estava com amigas nas proximidades da instituição, quando alguns rapazes jogaram tinta misturada com o produto que causou as queimaduras. Polícia identifica mais duas vítimas queimadas com produto químico em trote no interior de SP


Como mostra reportagem do R7, o trote universitário é coisa antiga no Brasil. O primeiro caso registrado, em 29 de março de 1831, já indicava que a brincadeira não iria terminar bem. Um estudante da Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco, não aceitou as humilhações impostas pelos seus veteranos, práticas que aprenderam com seus colegas da Universidade de Coimbra, em Portugal, também no início do século 19 
Foto: Thinkstock 



Em fevereiro de 2010, a polícia de Barretos, no interior de São Paulo, identificou dois veteranos suspeitos de jogar uma substância que causou queimaduras em sete calouros do Unifeb (Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos). O líquido, supostamente creolina, também causou princípio de intoxicação nos estudantes, que passaram mal e tiveram ânsia de vômito. Na época, só dois dos sete calouros feridos registraram boletim de ocorrência. O Ministério Público Federal chegou a participar das investigações, devido à gravidade do ocorrido 

Foto: Reprodução/Rede Record 


Em fevereiro de 2012, um adolescente de 17 anos teve queimaduras de primeiro grau na garganta após passar por um trote violento na Universidade Católica Dom Bosco, em Campo Grande (MS). Durante o trote, veteranos deram bebida alcoólica ao jovem e o forçaram a beber gasolina. Ele foi hospitalizado e teve alta em seguida 

Foto: Montagem R7



Em 2010, repercutiu na mídia o caso de um estudante de medicina veterinária de Fernandópolis, no interior de São Paulo, que foi obrigado a beber álcool combustível durante um trote na universidade Unicastelo. O aluno de 18 anos chegou a ficar com dificuldade para andar e foi hospitalizado 

Foto: Getty Images


Em fevereiro de 2009, a estudante Priscilla Vieira Rezende Muniz, então com 18 anos e grávida de três meses, foi queimada com uma mistura de gasolina e creolina durante um trote praticado por estudantes da Funec (Fundação Municipal de Educação e Cultura), em Santa Fé do Sul, no interior de São Paulo. A jovem precisou ser internada para observação e chegou a ser ouvida na Delegacia da Mulher da região 

Foto: Arquivo pessoal


Em 2008, 11 calouros da UFVJM (Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e do Mucuri) foram queimados por ácido muriático e creolina misturada com limão durante trote imposto por veteranos da instituição, sediada na cidade de Diamantina, região central de Minas Gerais. A Polícia Civil da cidade abriu inquérito para apurar quem foram os culpados 

Foto: Reprodução/ Facebook


Em 2006, segundo notícia da Folha de S. Paulo, o calouro do curso de administração de empresas da Unifran (Universidade de Franca) Tiago Rosa Careta, então com 21 anos, teve a cabeça e o pescoço queimados por um produto químico lançado sobre ele no primeiro dia de aula da universidade por outra caloura. O produto químico era permanganato de potássio. À época, a Unifran afirmou que abriu procedimento administrativo para apurar o incidente 

Foto: Getty Images



Em 2013, veio à tona o caso de uma caloura da Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia). A estudante de 20 anos teve mal estar após um trote de seus veteranos do curso de agronomia. Em denúncia encaminhada ao Ministério Público, a estudante contou que foi obrigada a lamber os testículos e o pênis de um boi durante um trote. Os trotes são proibidos na instituição 

Foto: Thinkstock



Também em 2013, ganhou repercussão na imprensa o trote realizado pelos veteranos de medicina da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Para recepcionar os calouros, os estudantes preparam um banho em uma piscina preenchida com terra, pedaços de melancia, urina e peixes mortos. O caso foi veiculado pelo jornal O Globo Foto: Reprodução



Em março de 2013, veteranos do curso de direito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) pitaram com tinta preta o corpo de uma caloura branca como parte de um trote se propondo como ofensivo. As mãos da estudante foram atadas e em seu pescoço foi colocada uma placa com as inscrições "caloura Chica da Silva", em referência à escrava que viveu em Diamantina (MG) no período colonial. A universidade abriu um sindicância contra quatro alunos. Um dos organizadores do trote foi expulso em 2014 Foto: fa



Também em 2013, estudantes da USP em São Carlos tiveram de cumprir 30 horas de trabalho comunitário por ficarem pelados em uma festa de recepção da universidade. No momento, eles tiraram a roupa para afrontar feministas durante o evento denominado "Miss Bixete" Foto: Reprodução/Rede Record



Em fevereiro de 2013, repercutiu na mídia o caso do estudante Caio Rocha. Então como calouro da Universidade de Rio Verde, em Goiás, Rocha teve os cabelos cortados por um canivete portado por um veterano. O corte, realizado durante uma festa de recepção aos novatos, acabou ferindo a nuca de Rocha. A polícia militar registrou ocorrência Foto: BBC




Em 2012, um calouro de 17 anos recém-ingresso no curso de engenharia de produção da Unipampa (Universidade Federal do Pampa), no Rio Grande do Sul, foi abandonado em uma praça da cidade de Bagé em coma alcoólico. Durante um trote, ele foi forçado a ingerir bebidas alcoólicas. O jovem foi socorrido pela mãe e internado com alterações nos batimentos cardíacos, gastrite e inflamação no esôfago Foto: VANESSA CARVALHO / ESTADÃO CONTEÚDO



Em 2011, reportagem do jornal Folha de S. Paulo abordou a abertura de uma investigação da Procuradoria Federal para apurar trotes realizados na Univasf (Universidade Federal do Vale do Sã Francisco). Em 2007, uma denúncia anônima revelou que veteranos da instituição amarravam calouros e jogavam neles resíduos compostos por excrementos de animais e ovos podres. Vídeos foram divulgados revelando as ações Foto: Facebook / Reprodução


Também em 2011, durante um trote, calouras do curso de agronomia da UnB (Universidade de Brasília) foram forçadas por ser veterano a fazer sexo oral em linguiças colocadas em bonecos Foto: Reprodução



Em agosto de 2009, uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo trouxe à tona um possível caso de abuso sexual realizado durante trote na UFF (Universidade Federal Fluminense). À época, uma caloura do curso de direito “contou que os veteranos dividiram as estudantes em dois grupos – ‘barangas’ e ‘bonitas’. As consideradas bonitas foram levadas para uma sala da universidade, onde teriam recebido a proposta de fazerem sexo oral em oito rapazes. Em troca, seriam liberadas da obrigação de pedirem nas ruas R$ 250 e ainda seriam ‘promovidas’ a veteranas”. A universidade abriu sindicância para apurar o caso Foto: Reprodução


Em fevereiro de 2009, reportagem do O Estado de S. Paulo abordou o caso do Bruno César Ferreira, de 21 anos, calouro do curso de medicina veterinária do Centro Universitário Anhanguera Educacional, campus de Leme, no interior de São Paulo. O calouro foi ferido com um chicote durante um trote, e obrigado a se jogar numa lona com excrementos de animais e aves em decomposição. Além disso, Ferreira foi amarrado a um poste, onde recebeu chutes no abdome e na cabeça, e obrigado a beber pinga. O estudante foi internado na Santa Casa do município, em coma alcoólico Foto: VANESSA CARVALHO / ESTADÃO CONTEÚDO




Em 2007, reportagem veiculada na Folha de S. Paulo mostrou o caso de uma caloura do curso de odontologia da Unicid (Universidade Cidade de São Paulo). Durante um trote, a universitária, então com 17 anos, teve sua blusa, sutiã e calcinha rasgadas. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso. “Desesperada diante da situação, a estudante chegou a chorar e implorar, sem êxito, pelo fim do trote, afirmou à reportagem o pai da estudante”, diz trecho da reportagem Foto: Divulgação



Em 2003, o jornal Folha de São Paulo fez uma lista com alguns dos trotes violentos que entraram para a história. O levantamento mostra um caso de março de 1980, quando o calouro da Universidade de Mogi das Cruzes Carlos Alberto de Souza morreu após ter recebido socos na cabeça durante um trote. Ele reagiu quando os veteranos tentavam cortar seu cabelo à força Foto: Reprodução



Em fevereiro de 1991, Júlio César de Oliveira, estudante da 8ª série da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco de 16 anos, morreu depois de receber três golpes de tesoura ao reagir a um trote. O estudante ia para a aula em Osasco quando seis colegas o atacaram na tentativa de cortar seu cabelo Foto: Reprodução




Em março de 1990, George Araguaia Parreira Mattos, estudante de direito de 23 anos, teve uma parada cardíaca ao tentar fugir de um trote, na cidade de Rio Verde (GO) Foto: VANESSA CARVALHO / ESTADÃO CONTEÚDO



Em abril de 1992, o estudante de economia Alexandre Spencer Vasconcelos, 20 anos, é expulso da Puccamp (Pontifícia Universidade Católica de Campinas) por ter praticado trote violento contra José Ricardo Ribeiro Pinto, 23 anos, que sofreu fratura na mandíbula, amnésia e teve de passar por cirurgia Foto: Reprodução



Em março de 1993, o estudante Ugo Luís Boatttini Jr., de 19 anos, abandonou o curso de engenharia na Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Guaratinguetá depois de passar por trote violento. Entre outras agressões, veteranos prenderam um peso de sete quilos em seus órgãos genitais Foto: Divulgação/ Unesp




Em março de março de 1998, o estudante Rodrigo Favoretto Cañas Peccini, de 19 anos, foi internado no Hospital Regional de Sorocaba (SP) depois de ter sido queimado por companheiros da faculdade de medicina da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) durante um trote Foto: Thinkstock



Em fevereiro de 1999, o calouro do curso de medicina da USP Edison Tsung Chih Hsueh, de 22 anos, foi encontrado morto em uma piscina da instituição. A morte, que ocorreu num contexto de festa e trote universitário, chocou o País Foto: Reprodução

fevereiro 11, 2015
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