As 6 grandes descobertas da astronomia em 2015

Simulação da Nasa sobre ventos solares agindo em Marte

NASA/GSFC
Alexandre Versignassi, da Superinteressante

O que o Brasil teve de crise, a astronomia teve de progresso em 2015.

Foi um ano especial mesmo: chegamos a Plutão, descobrimos que a água líquida, ingrediente mais básico para a vida, é mais comum no Sistema Solar do que qualquer um imaginava, vimos planetas nascendo, e uma estrela morta que deixou quatro fantasmas.

Com vocês, o ranking mais sideral do ano! Confira navegando nas fotos.

1. Life on Mars?

Nasa
"Gelo em Marte, diz a Viking!", cantava o Raul Seixas há 40 anos. A existência de água congelada por lá deixou de ser mera hipótese ainda nos anos 1970, graças às sondas Viking.

Com água líquida a história é outra. A presença do ingrediente mais fundamental para a vida por lá ainda era expeculação.

Não é mais. Em setembro, a Mars Reconnaissance Orbiter, a (MRO) mostrou que flui água na superfície do planeta, pelo menos nas épocas mais quentes do ano, quando a temperatura sobe para 20ºC negativos (escaldante para um planeta com temperaturas médias de - 60ºC).

Essa água marciana, aliás, só fica líquida a -20ºC porque é salobra, ou seja: contém mais sais do que H2O para valer.

Mesmo assim, é água líquida, a coisa mais preciosa do Universo. E na superfície, coisa que só a Terra, até agora, tinha, ainda que não seja água o bastante para formar mares, só córregos fininhos.

Mesmo assim, isso amplia exponencialmente a chance de um dia encontrarmos vida em Marte. Então não tinha como essa não ser a maior descoberta astronômica do ano. Um achado que, além do primeiro lugar nesta lista, ainda merece um David Bowie em homenagem. Som na caixa, e até 2016! 

2. I love Plutão

NASA-JHUAPL-SWRI/Handout via Reuters
Quase tudo o que se sabia sobre Plutão até outro dia era o tamanho dele, diminuto, você sabe: a área todo do planeta-anão é um pouco menor que a da América do Sul.

Mas em 2015 descobrimos que o bichinho tem sua própria Cordilheira dos Andes, com montanhas de 3.500 metros de altura. Mais: soubemos que ele fervilha por dentro, essa cadeia de montanhas, por exemplo, teria se levantado há meros 100 milhões de anos (pouco na escala geológica: o Himalaia, por exemplo, começou a erguer-se há 500 milhões de anos).

Dessa forma, o planetinha se torna automaticamente um candidato a ter água líquida no seu interior, já que essa fricção geológica pode muito bem derreter o gelo das entranhas do planeta.

Daí para a presença de vida na forma de micróbios seria um pulo, mas falta conforma se esse suposto oceano, nos moldes de Europa e Encélado, existe mesmo.

Bom, a New Horizons, sonda que chegou às redondezas de Plutão depois de uma odisseia de nove anos pelo Sistema Solar também descobriu que o ex-planeta tem céu azul (cortesia de uma fina atmosfera de nitrogênio, coincidentemente o gás dominante na nossa atmosfera também) e, de quebra revelou que o planetoide tem um grande coração.

Grande mesmo, com 1600 quilômetros de extensão, e formado pela diferença de relevo na face do planeta que a New Horizon fotografou, enquanto passava a 768 mil quilômetros da superfície raspando, praticamente, tendo em vista que Plutão está a 5 bilhões de quilômetros daqui.

Isso dá uma distância 25 vezes maior do que aquela entre a Terra e Marte, o protagonista do próximo tópico. 

3. Um parque aquático numa lua de Júpiter

Divulgação/Nasa
A vida começou nos oceanos. Isso porque ?vida? é só o nome que inventamos para moléculas de carbono capazes de produzir cópias de si mesmas.

De carbono porque esse é o elemento mais versátil que existe, o único capaz de se juntar para formar algo tão complexo quanto o DNA. As moléculas de carbono, porém, precisam estar dissolvidas em água para formar suas gloriosas cadeias.

Logo, a água é indispensável à vida (pelo menos à vida como a concebemos vai saber o que pode haver Universo afora).

Mas vamos voltar ao que interessa. Além da Terra, é provável que existam outros oito astros do Sistema Solar com oceanos ? só que todos subterrâneos, já que as superfícies desses astros, via de regra, jazem a temperaturas abaixo de...

Não, não de zero. Abaixo de 200 ºC negativos. Outra: todos esses supostos oceanos estão estão não em planetas, mas em satélites de Júpiter e de Saturno.

A água seria aquecida acima do ponto de fusão não pelo Sol, mas pela gravidade desses dois planetas gigantes, que repuxam as entranhas seus satélites a ponto de fazer o gelo presente lá dentro derreter (Plutão também é candidato a ter um oceano interior, mas aí o aquecedor seria sua atividade geológica, recém descoberta). 2015, enfim, trouxe uma novidade instigante ao mundo desses mares alienígenas).

Cientistas descobriram evidências de que Encélado, uma das luas de Saturno, possuiria não só um oceano interno, como fontes hidrotermais que ejetam água a tórridos 90 ºC.

Tudo isso num ambiente rico em moléculas de carbono. Fora Encélado, só dois outros lugares do Sistema Solar teriam oceanos assim, com fontes hidrotermais ativas: Europa, a lua mais famosa de Júpiter, e a Terra.

A própria vida por aqui, especula-se, teria começado justamente em torno dessas fontes. Ou seja: se até 2015 só Terra e Europa apresentavam condições realmente ideias para a vida, agora temos um terceiro integrante nesse clube ultra-seleto. 

4. Ceres, o planetinha com faróis

Divulgação/Nasa
2015 foi o ano em que fizemos contato com um astro bem particular: Ceres, o maior objeto do Cinturão de Asteroides. O cinturão é o disco de pedras que deveria ter dado origem ao quinto planeta rochoso do Sistema Solar (além de Marte, Terra, Vênus e Mercúrio, todos nascidos a partir de antigos cinturões de asteróides).

Não rolou. Culpa da gravidade de Júpiter, que nunca deixou as pedras do cinturão se juntarem para formar um planeta de verdade.

O objeto mais bem sucedido ali foi Ceres: uma bolinha com área idêntica à da Argentina (2,8 milhões de km2) ? bem menor que a Lua, cuja superfície (38 milhões de km2) dá quase uma Ásia.

Mas a visita a Ceres neste ano, com a sonda Down, foi mais frutífera do que qualquer cientista poderia imaginar. A sonda descobriu esses dois pontos brilhantes no planeta-anão.

E ninguém sabe do que se trata a coisa: podem ser depósitos de gelo ou de sal (a hipótese mais provável). Seja como for, o porquê dessa disposição exótica sobre a superfície de Ceres permanece um mistério.

5. Berçário de planetas

Divulgação/Nasa
Planetas se formam a partir de discos de poeira (e de gás e de pedras) que giram ao redor de suas estrelas quando elas ainda são jovens. Até 2015, isso era só uma teoria (ainda que tão aceita quanto o heliocentrismo).

Mas agora não existe margem para dúvida: pesquisadores conseguiram fotografar pela primeira vez um grupo de planetas em formação, em volta de uma estrela novinha a 450 anos-luz da Terra (a mesma escala de distância que nos separa das estrelas do Cruzeiro do Sul).

Esse Sistema, cuja concepção artítica você vê na imagem aqui em cima, tem só 2 milhões de anos de idade. O nosso, para você ter uma ideia, tem 4,6 bilhões de anos.

Ou seja: a coisa é um bebê cósmico (e nós somos senhores à beira da terceira idade). A foto original não chega a ser um espetáculo de nitidez, por isso não colocamos ela para decorar esta página.

6. As quatro cavaleiras do apocalipse

Divulgação/Nasa
Não faz o menor sentido chamar uma estrela morta de "supernova", como todo mundo faz. Só lembrando: supernova é o nome que a gente dá para a explosão de uma estrela.

A explosão é para a estrela o que a falência múltipla de órgãos é para a gente: a morte por idade avançada. Logo, seria bem mais preciso chamar a estrela explodida de "supervelha", ou de "supermorta" mesmo.

Mas tem um motivo para a gente chamar de "supernova". É que, quando uma estrela distante demais para ser vista a olho nu da Terra acaba explodindo, o brilho do estouro é tão grande que pode aparecer no céu como se fosse uma estrela nova mesmo. Imagine aparecer um estrelão bem no meio da cruz do Cruzeiro do Sul.

Então: seria uma estrela nova. Mais precisamente, uma supernova. O "super" vem da intensidade do brilho: a primeira supernova registrada, em 1572, surgiu no firmamento mais luminosa que Vênus, e levou dois anos até sumir.

Bom, e o que você faria se visse não uma, mas quatro supernovas estourando ao mesmo tempo, cada uma num canto céu? Não sei você, mas eu ficaria desesperado que nem um cachorro no Ano Novo.

Provavelmente me esconderia debaixo da cama, e ficaria por lá mesmo em posição fetal, esperando o apocalipse, o fim dos tempos, o castigo dos deuses.

Mas ainda bem que nossos astrônomos são menos silvícolas que este jornalista. Porque foi basicamente isso, quatro supernovas simultâneas, que eles viram no céu no começo do ano, com a ajuda do telescópio Hubble.

E nem fomos alertados sobre a chegada do apocalipse, olha só. Isso porque todo astrônomo que se preza já esperava por um fenômeno exatamente assim.

É que o espetáculo foi uma ilusão de ótica. Houve só uma supernova, que acabou multiplicada por quatro no espaço. Quem explica é a Relatividade Geral, a teoria de Einstein que redefiniu a gravitação.

Albert mostrou que a massa de um corpo distorce o espaço em volta dele. O Sol, que é bem massudo, entorta tanto o espaço que a luz das estrelas dá uma desviada quando passa perto dele.

Quando o objeto em questão é massudo mesmo, tipo uma galáxia inteira, com bilhões de sóis, buracos negros e o escambau, o grau de distorção pode ser absurdo.

Foi o que aconteceu no caso da nossa supernova aqui. A estrela explodiu há nove bilhões de anos, e a luz dela só chegou agora aqui. No caminho, a luz dela trombou com um obstáculo gravitacional: uma galáxia gigante.

A galáxia distorcia tanto o espaço em volta dela que criou um fenômeno conhecido como "lente gravitacional": a gravidade da galáxia simplesmente fragmentou a luz da supernova em quatro.

Quem olha a coisa daqui da Terra, então, vê não uma supernova, mas quatro, com cada uma aparecendo próxima a uma das bordas da galáxia que serviu de lente (a imagem ali em cima deixa claro).

Essa ideia, a de que as lentes gravitacionais poderiam causar exatamente esse tipo de ilusão de ótica, foi proposta há 50 anos pelo astrônomo norueguês Sjur Refsdal.

Mas ele não pôde ver sua ideia materializar-se no céu. Refsdal morreu em 2009, aos 74 anos. Mas a supernova foi batizada com o nome, como deveria de ser.

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