Universitário negro acusado por PM de roubar o próprio carro não sai mais de casa sozinho

Advogado do jovem solicitou que a denúncia seja apurada pelo Ministério Público 
Rapaz está "muito abalado", de acordo com o advogado Reprodução/Facebook

A rotina do universitário Pedro Henrique Afonso, de 24 anos, mudou completamente desde o dia 30 de março. Ele afirma que foi vítima de uma abordagem truculenta da Polícia Militar e acusado de roubar o próprio carro. Desde então, o jovem estudante da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais) não sai mais de casa sozinho, de acordo com o relato do advogado dele, William Ferreira de Souza. 

— Ele está muito abalado psicologicamente, me liga todos os dias, mudou os hábitos. A universidade fica perto do Batalhão da PM e ele teme pela própria integridade física. 

O representante do universitário entregou um ofício para a Promotoria de Justiça de Direitos Humanos do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais), solicitando que o caso seja apurado e os responsáveis, punidos. Além disso, eles registraram queixa na Corregedoria da PM, que deve abrir um processo administrativo para investigar as circunstâncias do ocorrido. 

— Temos estas duas situações: no âmbito da Justiça militar, será feita a avaliação da abordagem. Já no Civil, será apurado se houve excesso deles [policiais] como Estado, eles respondem pessoalmente como cidadãos pelo crime cometido. 

Afonso publicou um desabafo em sua página do Facebook sobre o assunto. Ele contou que chegava à UEMG por volta de 19h quando foi cercado pelos militares, que teriam questionado o que ele estava fazendo no carro. O jovem alega que foi tratado de forma agressiva, obrigado a colocar as mãos na cabeça e, em seguida, algemado. "Mão na cabeça, vagabundo, e cala tua boca" (sic) teriam gritado os dois agentes. Indignado, o universitário ainda tentou argumentar que "conhecia seus direitos" e que não poderia ser abordado desta forma, mas não adiantou. 

— Foi o suficiente para que a truculência aumentasse. Com violência, me algemaram. Em minha volta, colegas, professores e vizinhos começaram a protestar. Senti medo, vergonha e indignação. As pessoas que me defendiam também eram ameaçadas e coagidas a não registrar o que estava ocorrendo. Me jogaram no carro. 

Já na delegacia, o estudante foi acusado de desacato à autoridade. O advogado dele explica que o delegado optou por não indiciar Afonso e deixou a decisão a cargo do MPMG. O Juizado Especial Criminal chegou a promover uma audiência de conciliação com o rapaz e ofereceu a suspensão processual mediante serviços prestados à comunidade. 

— Meu cliente é claro que não aceitou. Então, agora, o MP vai avaliar se pede a denúncia ou requere o arquivamento do caso. 

Quando a denúncia veio à tona, a assessoria de imprensa da PM declarou que o estudante deveria formalizar o relato junto à Corregedoria, para que fosse apurado se houve irregularidade ou arbitrariedade na postura dos policiais.
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