Mulher, egípcia, muçulmana e rapper: conheça Mayam Mahmoud

Ela é a primeira rapper de seu país a cantar usando o véu. Mesmo ameaçada de morte, continua a lutar pelo direito das mulheres através de suas letras


A jovem Mayam Mahmoud, com seu véu, parece uma mulher egípcia comum.

Exceto por um detalhe: ela é uma rapper. A primeira do seu país.

Aos 19 anos, subiu no palco do Arabs Got Talent, em outubro do ano passado.

Sua performance de rap chamou a atenção do Egito e do mundo árabe. Para o bem e para o mal.

Muitos elogiaram seu talento. Mas religiosos extremistas consideraram um absurdo uma mulher cantar uma música de rap. Por isso, ela recebeu uma ameaça de morte.

Com suas letras, Mayam combate uma dura realidade de seu país: o assédio e o abuso sexual que as mulheres sofrem.

Com o hip hop e o rap, ela também quer deixar claro que ninguém deve dizer a uma mulher como agir ou se vestir.

“Eu quero que as pessoas saibam que as mulheres, principalmente as mulheres que usam o véu islâmico, podem fazer o que quiserem. Não há uma ação ou um trabalho proibido para elas”, disse Mayam ao Global Post.

Em uma de suas músicas, ela passa uma mensagem dura e direta aos homens (em tradução livre do inglês): "Eu não serei aquela a ficar envergonhada. Você flerta, você assedia e você não vê nada de errado nisso. Mas mesmo que pareçam apenas palavras, não são flertes, são pedras".

Apesar de não ter se qualificado para a final do show, muitas mulheres egípcias ficaram tocadas pela mensagem feminista de suas canções.





Mayam

Mayam Mahmoud cresceu em Embaba, um bairro pobre do Cairo. Estudou ciências políticas e tem uma carreira paralela como modelo.

Ela cresceu em um Egito cujos casos de violência sexual e assédio para com mulheres são corriqueiros.

De acordo com uma pesquisa da Thomson Reuters, o Egito é o pior país árabe para as mulheres. A escalada de grupos islâmicos extremistas na política torna a situação das mulheres ainda mais delicada.

A ONU, por exemplo, levantou dados que mostram que 99,3% das mulheres egípcias já sofreram assédio sexual.

Esses números foram suficientes para Mayam perceber que algo precisava ser dito.

“As garotas estão sempre paranoicas, ficam preocupadas quando têm que andar até a escola, por exemplo. As mulheres, assim, raramente saem de casa”, disse.

As grandes influências de Mayam? Nada de hip hop ocidental, Eminem ou Kanye West. Segundo ela, sua mãe é sua grande influência. Desde os 12, ela lhe incentivou a ler e escrever.

Quando a poesia virou letras de rap, seus pais ficaram preocupados no começo, considerando o rap uma atividade "pouco feminina".

Mas logo mudaram de ideia e a ajudaram a gravar uma música em um estúdio em Alexandria.




Rap contra rap

O rap de Mayam é uma resposta ao rap dos homens do Egito. Segundo ela, muitos rappers homens cantam músicas que falam que a culpa pelos assédios e abusos é das próprias mulheres, porque “usam certas roupas ou maquiagem”.

Suas músicas, agora, incomodam os ultraconservadores do país, que consideram totalmente inapropriado uma mulher, usando um véu, cantar e aparecer em programas de entretenimento.

"Quem disse que feminilidade é sobre vestidos? Feminilidade é sobre inteligência e intelecto", diz um de seus raps.

A repressão e até a ameaça de morte não pararam Mayam.

Em Londres, ela ganhou o prêmio Index Freedom of Expression, por defender o direito das mulheres.

No Facebook, ela se juntou a amigos para criar a página “Carnival of Freedom”, onde mulheres de todo o país podem postar fotos delas participando de atividades normais, mas que no país são proibidas ou “obscenas”. Jogando futebol, por exemplo.

A escolha do rap foi por causa de sua maneira particular de “se expressar de modo mais livre”. Além disso, a cena do hip hop e do rap é muito forte no país, ainda que os artistas mais ouvidos sejam os americanos, como Jay-Z.

“Minhas letras falam das experiências reais das mulheres. Elas me contam suas histórias e eu relato a dor delas através do rap”, disse.

“Ninguém mais, além de nós mesmas, pode relatar a dor da mulher egípcia”, conclui.
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