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ET perdido e paixão pelo cinema se misturam em 'Super 8'


SÃO PAULO (Reuters) - A nostalgia percorre cada fotograma de "Super 8", a nova aventura saída da imaginação do diretor e roteirista J.J. Abrams - o celebrado criador da série "Lost".
Ambientada em 1979, numa época em que não existiam ainda os telefones celulares, a história evoca, desde o título, também o passado do próprio cinema, emprestando o nome das câmeras que antigamente eram quase tão populares quanto as agora onipresentes digitais


Filme de época, ficção científica, suspense com ecos de drama familiar e romance adolescente, alguns momentos de filme de terror - parece muita coisa, e é, para definir o cruzamento de gêneros que aqui se propõe.
Isto sem contar o largo passeio pelas referências cinematográficas de J. J. Abrams - que vão de "O Dia em que a Terra Parou" (1951) aos filmes do aqui produtor Steven Spielberg - como "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" (1977) e "E.T. - O Extraterrestre" (1982) - , fazendo uma rápida escala em "Conta Comigo" (1986). Mas, na mistura, é que o diretor mostra a que veio.
Charles (Riley Griffiths) é um pré-adolescente gordinho e cheio de energia que sonha em ser cineasta - e tem até uma certa semelhança física com Orson Welles. No momento, ele está empenhado em fazer um filme sobre zumbis para colocar num festival. Todo o esquema de produção é caseiro.
Ele conta com amigos do peito como Cary (Ryan Lee), Preston (Zach Mills) e Joe (Joel Courtney) para atuar e trabalhar na equipe técnica. Só falta convencer a loirinha mais bonita da escola, Alice (Elle Fanning, de "Um Lugar Qualquer"), para ser a estrela.


Trailer de "Super 8"

Contando com a jovem atriz, a turma põe-se a filmar uma sequência noturna às escondidas, na estação de trem. Tudo corre bem até que presenciam um estranho acidente: uma caminhonete vem em alta velocidade sobre os trilhos, procurando chocar-se contra o trem que está chegando.
A ideia dos meninos era só aproveitar a parada do trem como pano de fundo para uma cena romântica. O acidente, espetacular, põe todos eles para correr. A câmera fica no chão, filmando um material que logo mais se tornará objeto de uma intensa disputa.
Quem lançou a caminhonete contra o trem é um professor dos garotos, o dr. Woodward (Glynn Turman), que lhes conta uma estranha história sobre um extraterrestre. Pouco depois, a cidadezinha assiste à chegada de vários pelotões de tropas, que tomam conta do trem acidentado e de toda a situação.
Duas tramas paralelas prosseguem a partir daí. Uma delas gira em torno do suspense sobre o segredo do conteúdo do trem e o significado de um estranho cubo colhido na estação por Joe. A outra é o conflito entre o pai de Joe, o xerife-assistente Jackson (Kyle Chandler), e o pai de Alice, Louis (Ron Eldard), uma situação que complica o princípio de romance entre os dois adolescentes. A história tem a ver com a morte da mãe de Joe num acidente na fábrica em que também trabalhava o pai de Alice.
A primeira parte, quando os garotos encenam o filme e presenciam o desastre - uma sequência genuinamente eletrizante - é a melhor, inclusive repleta de humor. Quanto mais se define o mistério, em torno de um extraterrestre com estranhos hábitos alimentares, para dizer o mínimo, a história perde parte de sua energia.
É uma aventura que provavelmente tem mais impacto sobre pré-adolescentes, que têm tudo para se reconhecerem na simpática turma aqui retratada, que em todos os momentos decide tomar a responsabilidade com as próprias mãos. Vale por isso. Como ficção científica, "Super 8" não tem nada de novo e é, na verdade, um tanto trash.
Elle Fanning, do alto dos seus 13 anos, está se tornando não só belíssima, mas também uma ótima atriz. Mais um orgulho no clã que já deu ao mundo Dakota Fanning (que atuou com Spielberg em "Guerra dos Mundos"). (Neusa Barbosa, do Cineweb)

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